domingo, 13 de novembro de 2011

O que eu aprendi com Eddie Vedder



Acabei de ver o documentário PJ20 (Pearl Jam Twenty), do diretor Cameron Crowe - o mesmo de Vanilla Sky e Jerry Maguire. Aconselho para qualquer um, fã ou não fã da banda.

O documentário remonta a história do movimento grunge nascido em Seattle e que tomou conta do cenário rock mundial no final da década de 80 impulsionado principalmente pelos lançamentos do disco Nevermind do Nirvana e do Ten do Pearl Jam.
Mais do que um estilo de música, o grunge acabou se tornando uma filosofia de vida que nasceu inspirada no indie rock e outros movimentos dos "sem teto da música" e acabou afetando a vida de milhares de jovens.

Até aqui nada de Service Design, Design Thinking... ou Branding... ou nem mesmo a palavra Inovação apareceu no texto e já estamos no terceiro parágrafo, certo? Voce deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o tema principal do meu blog. A resposta mais fácil é: Nada. A mais correta é: "humm...".

Seguindo... Cameron Crowe traça o perfil do movimento através da história da banda que liderada por um  tímido, mas monstruosamente talentoso vocalista de nome Eddie Vedder, encabeça o movimento grunge e sua popularização ao redor do mundo.

O documentário, que conta com a presença e depoimentos de monstros consagrados como Chris Cornell - ex-SoundGarden e Audioslave -  me chamou atenção por diversos motivos. O primeiro - e acho que mais importante ou eu nem teria tido a sorte de mergulhar nele - quando adolescente tive uma banda cover de Pearl Jam, ou pelo menos tentei ter. Isso me inclui como um dos profundamentamente  afetados pelo movimento durante a década de 90. Mas o mapa da origem do meu interesse vai além do saudosismo.
Eu realmente me interesso por compreender profundamente essas pequenas fagulhas que, por algum motivo, incendeiam uma geração inteira. E o Pearl Jam foi sem dúvida uma dessas.

Foi interessante ver a história de uma banda que esta unida há 20 anos. Isso significa saber trabalhar junto mas também saber acordar e dormir debaixo do mesmo teto por meses, além de passar longas datas longe das pessoas que se ama.

Enquanto isso, na "coporatelândia" pessoas que trabalham juntas durante 6 horas por dia (descontei o almoço e os "cafezinhos") não se suportam e simplesmente não conseguem achar razão para desejar o convívio. A maioria, "se pudesse", se jogaria na primeira janela de saída que aparecesse só para não ter que aturar por mais um dia aquele chefe, o tal colega de trabalho, ou regime sufocante.

E o pior, é que é grave e sério. Muito sério. Principalmente se a principal sustentação de um negócio está na sua capacidade de gerar "diferenciação relevante", meu sinônimo para a palavra "i**v**ão", pois já me deu nos nervos ouvir a mesma, de tão mal utilizada. Escrever ela assim é uma garantia de que ninguém vai me "quotear" por ai de maneira superficial ou errada.

A diferenciação relevante não nasce em um ambiente estéril e minado de conflitos, da mesma forma que boas músicas não nascem de bandas cujo membros se odeiam ou, se pudessem, não estariam mais juntos há bastante tempo. 

O que separa um universo do outro? Por que, mesmo sendo um convívio mais intenso e com pressões tão grandes ou maiores, algumas bandas se mantém juntas por 10, 20, 30 anos?

Meu "take": Propósito. Encontre o seu (e isso é urgente!).






4 comentários:

  1. Ótimo post e síntese de observação Tenny! Com toda certeza o que diferem as empresas e profissionais que tem obtido destaque ao cativarem e emocionarem seus clientes (aqui podemos falar já de embaixadores) da maioria dos seus concorrentes é que conseguiram descobrir, compreender e lapidar o tão falado "DNA". Lendo seu post agora pude perceber que vários artigos, teorias e "superficiais - para não dizer furadas - leis" de branding e marketing podem ser totalmente resumidas a uma palavra: PROPÓSITO! Simples assim... As empresas gastam (não confunda com investem) milhões em pesquisas, focus group, treinamentos, etc, etc, que no final não fazem diferença significativa e relevante para quem realmente importa, o cliente. E isso por pura falta de noção de seu real propósito e o que devem entregar. Sempre que leio seus posts consigo tirar algo de positivo e relevante para levar adiante, obrigado pelas aulas!

    ResponderExcluir
  2. Acabei de assistir....e ainda anestesiado por tudo vi e ouvi....o envolvimento da das pessoas com o que acreditavam....com o que sentiram e vivenciaram....os momentos de reflexão...do sentindo de tudo que estava acontecendo com eles...como guiar tudo isso para um proposito que mostrasse o que realmente importava pra eles....e principalmente deixar que as pessoas que curtissem suas musicas...continuassem a curtir mesmo com o tempo eo mundo dos negocios pressionando....

    ResponderExcluir
  3. Caro prof.Tennyson,

    Belo post. Gosto muito de rock e das bandas conteporâneas do PJ. Soudgarden, Stone Temple Pilots, Alice in Chains, Nirvana e por aí vai. Muitos dos integrantes morreram (problemas pessoais) e em outros casos o grupo se desfez, por desentendimento. Sem dúvida alguma é preciso de um "bonding" para unir os integrantes do grupo e transformá-los em uma equipe com propósito partilhado. Há propósito, será oferecido o curso de DF na ESPM em Dezembro ou Janeiro?

    Um Abraço.

    ResponderExcluir
  4. Pô, nem sabia que o PJ tinha esse doc, e olha q sou bem fã, colecionava todos os CDs (até isso perder o sentido...) e passei as férias todas ouvindo a trilha do Into the Wild e o Ukelele Songs (Eddie Vedder no estilo Edinho do Cavaco). Tenho q ver isso.

    Só queria observar que as equipes não precisam ser harmoniosas o tempo todo, ainda mais como latinos temos uma tendência de falar um em cima do outro, tudo acontece ao mesmo tempo, somos apaixonados e inflamados e a decedência italiana tempera para que as vezes o bate-bapo possa ser facilmente confundido com uma briga.

    Acho que o segredo mesmo é 1- não lutar pela sua ideia ou a minha, mas sim para que o resultado final seja o melhor e 2= que depois de uma sessão de ideação tão inflamada q possa ser confundida com uma sessão de descarrego as pessoas saibam deixar essas diferenças no escritório e sair pra tomar uma cerveja.

    Vem funcionado aqui na insitum.

    :)

    ResponderExcluir